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“Ilhas de calor” e suas causas

Professor, Lang. Saudações! Recentemente um colega meu, professor de geografia, me questionou o motivo de ocorrer uma maior diferença de temperatura entre os centros urbanos e áreas rurais durante a noite. As famosas “ilhas de calor”. E confesso que fiquei na dúvida desse motivo. Procurei sobre o calor específico do concreto e da terra e vi que eles são próximos em valores. Procurei algumas explicações na internet mas não encontrei nada muito bem fundamentado. O senhor sabe qual o motivo? Ou sabe me dizer em quais materiais encontro tal resposta? Desde já, obrigado!!

Respondido por: Prof. Fernando Lang da Silveira - IF-UFRGS

Áreas urbanas com grande concentração de edificações, vegetação e corpos de água escassos,  tornam-se “ilhas” de temperaturas mais elevadas do que das áreas periféricas e rurais. Esses bolsões aquecidos são chamados de “ilhas de calor”, podendo se formar sob diversas condições, de dia ou a noite, em cidades pequenas ou grandes, em climas variados e em qualquer estação do ano.

As “ilhas de calor” tem causas multifatoriais, isto é, não podem ser explicadas por uma única condição.

A seguir são listados diversos fatores que contribuem para a ocorrência das “ilhas de calor”. O texto que segue é uma adaptação da matéria produzida pelo EPA (U.S. Environmental Protection Agency), intitulada O que são ilhas de calor?

 1 – Redução das paisagens naturais em áreas urbanas. Árvores, vegetação e corpos d’água tendem a refrescar o ar, proporcionando sombra, transpirando e evaporando água das folhas e das superfícies líquidas (aqui um exemplo notável). Por outro lado, superfícies duras e secas em áreas urbanas – como telhados, calçadas, ruas, edifícios e estacionamentos – oferecem menos sombra e umidade do que as paisagens naturais e, portanto, contribuem para temperaturas mais elevadas.

2 – Propriedades dos materiais urbanos . Os materiais de construção  utilizados em ambientes urbanos, como pavimentos ou telhados, tendem a refletir menos energia solar e a absorvê-la para depois reemitir mais energia térmica do que fazem árvores, vegetação e outras superfícies naturais. Frequentemente, “ilhas de calor” se formam ao longo do dia e tornam-se mais pronunciadas após o pôr do sol devido à lenta transferência de energia (pelo processo de calor) dos materiais urbanos aquecidos para os seus entornos. Concreto, asfalto, vidro e superfícies compostas absorvem a radiação solar, armazenando energia e a liberam de volta para o ambiente durante a noite.

3 – Geometria urbana. As dimensões e o espaçamento das edificações em uma cidade influenciam o fluxo de vento e a capacidade dos materiais urbanos de absorver energia solar e a liberar. Em áreas densamente construídas, superfícies e estruturas obstruídas por construções vizinhas tornam-se grandes massas com alta capacidade térmica que não conseguem trocar calor com suas vizinhanças facilmente. Cidades com muitas ruas estreitas e edifícios altos se transformam em cânions ou desfiladeiros urbanos, que podem bloquear o fluxo natural de vento, responsável pelo efeito de resfriamento.

4 – Aquecimento antropogênico. Veículos, aparelhos condicionadores de ar, edifícios e instalações industriais liberam energia para o ambiente urbano o aquecendo.  Essas fontes de calor residual antropogênico podem contribuir para o efeito de “ilha de calor”. Motores de veículos, unidades de ar condicionado externas, instalações industriais e edifícios com alto consumo de energia indesejavelmente liberam energia aquecendo o entorno continuamente.

5 – Poluição atmosférica. Níveis elevados de poluição atmosférica em áreas urbanas também podem aumentar as “ilhas de calor” pois muitas formas de poluição alteram as propriedades radiativas da atmosfera (isto é, as propriedades relativas à interação da radiação solar e da radiação térmica das superfícies aquecidas com os gases, nuvens e partículas na atmosfera).  As  “ilhas de calor” não só aumentam as temperaturas urbanas, como também aumentam as concentrações de  gases de efeito estufa, promovendo mais aumento da temperatura.

6 – Geografia e clima . Condições climáticas com pouco vento e céu límpido contribuem para as  “ilhas de calor” mais pronunciadas, maximizando a quantidade de energia solar absorvida nas superfícies urbanas, as esquentando. Por outro lado, ventos fortes e cobertura de nuvens evitam a formação de “ilhas de calor”. Características geográficas também podem influenciar o efeito de “ilha de calor”. Por exemplo, elevações ou montanhas próximas podem bloquear o vento, impedindo de chegar a uma cidade ou criar padrões de vento que atravessam uma cidade refrigerando-a. 

“Docendo discimus.” (Sêneca)

 


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