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I-Doser: musiquinha estranha ou ruído de fundo agradável, nada mais!

Muitos colegas e também pais de alunos estão questionando sobre esse  I-Doser que seria um programa de computador que, com o auxílio de um fone de ouvido, produz ruídos que alteram as ondas cerebrais para resultar em um efeito escolhido. Supostamente ao fazer com que o usuário ouça, por um tempo pré-estabelecido, determinados ruídos, com auxílio de fone de ouvido, altera suas ondas cerebrais de acordo com os efeitos diversos que ele escolher – técnica conhecida como binaural rainsons. Os efeitos seriam sensações como as causadas pelo uso do café, maconha, crack, peiote, morfina, Valium e até mesmo o Viagra.

Não encontrei nenhum site confiável que falasse sobre, já que em algumas publicações fala que seria um efeito placebo.

Poderiam ajudar com informações?

Respondido por: Prof, Jorge Quillfeldt, Depto. Biofísica, IB / UFRGS

O I-Doser é um dentre vários esquemas comerciais que existem na internet para vender ilusões. Neste caso, a promessa é tão incrível que é fácil desconfiar: imagine poder experimentar exatamente os mesmos efeitos psicotrópicos desta ou daquela droga apenas ouvindo um áudio com seus fones de ouvido? Tudo sem correr os riscos de adquirí-la no tráfico ou mesmo de utilizá-la de fato? Diferentes “drogas digitais” podem ser compradas on line, pagando por “dose”, e esse mercado cresceu muito na última década, estima-se haver cerca de dez milhões de usuários.

Os áudios são geralmente longos (de 15minutos a várias horas), intencionalmente repetitivos, e consistem de um ruído de fundo (semelhante a um chiado), com um ou mais sinais sonoros sobrepostos que parecem oscilar em certa frequência. A oscilação é fraca e sutil, e nem todos conseguem ouvi-la distintamente (por exemplo, idosos). O ruído de fundo pode ser de diferentes “cores” – uma terminologia da engenharia acústica – sendo que o mais utilizado é o “ruído rosa”, no qual cada oitava (de frequência) tem a mesma energia, diferente do ruído branco, onde cada frequência tem a mesma energia: ao ouvido, porém, qualquer desses tipos de ruído lembra a “estática”, aquele chiado que se ouve quando uma televisão antiga ou rádio está “fora do ar”. Eventualmente também se agregam arranjos musicais estilo “nova era” que dão um ar de musicalidade ao áudio, e o ruído de fundo pode ser substituído por trilhas sonoras como o tamborilar da chuva caindo ou sons da natureza, que variam de forma aleatória mas mantém-se constantes durante muito tempo.

Os sinais sonoros sobrepostos são na verdade dois tons puros com uma pequena diferença de frequência entre si (por exemplo, 440 e 450 Hz, que soam em torno da nota “Lá”) e que são alimentados um em cada ouvido, separadamente – daí a necessidade de uso de fones de ouvido para que a coisa “funcione”. Se bem que não há nada de especial nisso, pois é assim que o som estéreo também funciona, a oscilação que se ouve (quando se ouve) é o que chamamos de Batimentos Binaurais (BBs – em inglês diz-se “Binaural Beats”), e são uma ilusão auditiva, não existem fisicamente (ver explicação a seguir). Para ter uma ideia do que estamos falando, os interessados podem ouvir gratuitamente áudios semelhantes que se podem achar em diferentes sites, por exemplo: https://mynoise.net/NoiseMachines/binauralBrainwaveGenerator.php

Até aí, nada demais, é só ruido de fundo agradável junto com BBs, mas o problema é que os promotores do I-Doser alegam que ouvir isso por um bom tempo pode causar efeitos mentais específicos, como o relaxamento (além de outros bem mais mágicos), e que isso se deveria a mudanças de estado cerebrais, ou mais especificamente, a modificações controladas das ondas cerebrais do eletroencefalograma (EEG), induzidas pelas BBs mediante o chamado entrainment (termo que pode ser traduzido do inglês como arrasto ou entranhamento de frequências), quando dois osciladores acoplados emparelham suas frequências entrando em sincronia. Chamo isso de “hipótese BB → EEG”. O fenômeno da sincromização por acoplamento de osciladores foi descrito pela primeira vez por Huyghens em 1656 e é observado em vários níveis de organização da natureza, dos fenômenos atômicos aos sistemas químicos, dos organismos vivos aos ecossistemas, das órbitas dos planetas à gravitação das galáxias. Já examinaremos essa hipótese.

O que significa mudar o estado cerebral?

No site do I-Doser[1], promete-se “doses de ondas cerebrais artesanais” (artisan brainwave doses), e que ouvindo esses BBs pode-se controlar o humor e relaxar como “experiência recreativa” mediante mudanças no estado cerebral. Mas não ficam nisso, vão além (muito além) e falam em “melhorar a meditação, chakra e ioga, equilíbrio holístico – e muito mais”… Claramente tentando atrair usuários interessados em algum tipo de experiência mística, sempre uma estratégia mercadológica eficiente. Mas pelo menos são honestos em dizer que as experiências são “simuladas” – ou seja, nada ali é real (provavelmente recomendação de algum advogado). Acontece que o marquetchin fantástico se dá mesmo fora do site, nas redes sociais, com a proliferação de relatos incríveis, uma estratégia que muitas empresas usam para se promover.

Pode parecer estranho, mas qualquer experiência sensorial produz “mudanças em nosso cérebro”, pois esse órgão tão especial evoluiu exatamente para isso, mudar reagindo e/ou registrando experiências. No nível celular e molecular isto é conhecido como plasticidade sináptica, mas o que conta é sua expressão em nível macro, de organismo. Assim, nossos encéfalos (dos quais o “cérebro” é apenas uma parte, o neocórtex) mudam para que nossos comportamentos mudem. É assim que formamos memórias, por exemplo. Mas da mesma forma como qualquer outra modalidade de entrada de informação sensorial, a audição produz mudanças de estado cerebrais – por exemplo, no córtex auditivo – e é desta forma que “ouvimos”. Neste caso, porém, trata-se de uma atividade neural bem mais rápida e efêmera, a ocorrer enquanto ainda estamos interagindo com o mundo físico, recebendo e processando informação sensorial para decidir que movimentos faremos: isso acontece na forma de atividade elétrica nas redes neurais. Os circuitos neurais disponíveis, em parte inatos e em parte aprendidos, processam a informação mediante uma enorme multidão de sinais elétricos transitando entre muitos neurônios. O somatório de tais potenciais elétricos variantes individuais produz um fraco sinal elétrico conjunto, que oscila com determinadas frequências correspondentes à média estatística de toda essa cacofonia elétrica. Coletivamente, podemos  “escutar” essa cacofonia utilizando eletrodos no escalpo, produzindo o chamado eletroencefalograma (EEG). As diferentes faixas de frequência do EEG foram batizadas com letras gregas, como Delta (1-3 Hz), Teta (4-7 Hz), Alfa (8-13 Hz) e Beta (14-30 Hz), e correspondem basicamente a diferentes níveis de alerta da pessoa. Como é de se esperar, essa atividade elétrica não é muito específica, pois está-se registrando a média de uma população realmente muito grande de neurônios disparando, e o registro do EEG é feito do lado de fora do crânio, pelo escalpo, logo, perde-se muita informação (eletrodos aplicados diretamente na superfície do cérebro produzem um sinal bem mais forte, chamado de eletrocorticograma, o ECG). Alguém comparou o EEG com o ECG dizendo que o primeiro equivale a tentar escutar um concerto sinfônico executado por uma grande orquestra do lado de fora do teatro, colando o ouvido na parede.
Pois bem, o que é o I-Doser, então? Adiantemos a resposta: é pura balela. Não funciona como prometido, até por que não tem fundamento, nem neurocientífico, nem sequer físico. A boa notícia é que, por causa disso, ao menos é algo seguro (exceto para o bolso). As notícias sensacionalistas de que poderia “viciar” seus usuários não passam de boatos (veja em https://www.boatos.org/saude/i-doser-e-uma-droga-virtual-vai-viciar-jovens-e-causar-overdoses.html ). Claro que, como se trata de simplesmente ouvir áudios estranhos durante longos períodos usando fones de ouvido, deve-se evitar sons muito intensos (acima de 85dB), pois estes, sim, causam lesões do aparelho auditivo, muitas vezes irreversíveis, e podem levar a problemas como o tinido ou a surdez.

Batimentos (física acústica) vs. Batimentos binaurais (neuropsicologia)

Mas o que são, então, os tais Batimentos Binaurais[2] (BB)? Para saber o que são, é preciso antes entender o que são batimentos, um conceito da física acústica, e, para isso, vamos à Wikipédia em português (https://pt.wikipedia.org/wiki/Batimentos): “Quando duas ondas sonoras, com frequências diferentes, mas muito próximas, chegam aos nossos ouvidos simultaneamente, percebemos uma variação na intensidade do som resultante; ela aumenta e diminui alternadamente, produzindo um fenômeno chamado batimento. Esse batimento é resultante da interferência construtiva e destrutiva das duas ondas quando ficam em fase ou em oposição de fase”. Trata-se, portanto, de um fenômeno físico, facilmente audível e que pode ser gravado. O efeito é até mesmo utilizado na música – o chamado canto difônico (https://pt.wikipedia.org/wiki/Canto_dif%C3%B4nico), com seus efeito surpreendentes (veja, por exemplo: https://youtu.be/vC9Qh709gas).

Já os BB são algo diferente: quando ouvimos 2 sinais sonoros de frequência pura, um em cada ouvido (é necessário usar fones de ouvido), e há uma pequena diferença de frequência (menos de 40Hz) entre eles, nosso cérebro “ouve” batimentos no meio do ruído, ondulações inesperadas no áudio, mas que não são aqueles batimentos reais, são apenas uma ilusão auditiva. Muita gente acha relaxante ouvir isso durante horas, e assim surgiu a ideia de que poderiam servir para curar males da mente. Com o I-Doser, atingiu-se um grau inédito de exagero pois alega-se que “causam exatamente as mesmas sensações de certas drogas de abuso”, sem os riscos de utilizá-las de fato…

O batimento produzido por interferência, que é real, é às vezes chamado de batimento monaural, para distinguí-lo do binaural, que é subjetivo (Oster, 1973; Schwarz & Taylor, 2005).

“Mecanismos” de ação?

Qual, então, o mecanismo que se supõe estar causando esse “emparelhamento da frequência dos BBs com as ondas do EEG? Como se a confusão entre batimentos acústicos reais com batimentos binaurais ilusórios não bastasse, tem mais: o efeito cerebral seria causado por uma sincronização entre as ondas imaginárias e as ondas cerebrais, aquelas que aparecem no EEG. As ondas do EEG são conhecidas dos neurologistas há quase 100 anos e tem grande utilidade médica, embora sejam sinais fisiológicos bastante simples e gerais correspondendo a diferentes estados cerebrais – alerta, sono, relaxamento – porém, nada muito específico, apenas estados mentais gerais. Os vendedores do I-Doser alegam que as frequências do ruído e dos BBs nos seus áudios podem induzir ondas cerebrais específicas e assim, conduzir aos estados mentais associados a elas, o que chamo de “hipótese BB → EEG”; mas vão além, seriam capazes de induzir estados MUITO específicos, como aquele que alguém experimentaria quando cheirasse cocaína, fumasse um baseado, tivesse um orgasmo ou ingerisse um comprimido de vicodina.

Isso é impossível por uma série de razões, sendo as principais que:

  • apesar de estados cerebrais / mentais estarem associados a determinadas frequências do EEG – as chamadas ondas cerebrais -, induzir tais ondas não faz com que o cérebro mude para aquele estado, simplesmente não é assim que a coisa funciona;
  • fenômenos oscilatórios os mais diversos podem ser acoplados e sincronizar entre si, mas as frequências que ouvimos não produzem ondas cerebrais correspondentes, com a mesma frequência; na verdade, o mais provável é que a audição atenta de sons variados apareça no EEG como uma única onda característica, o ritmo beta;
  • no caso da frequência das batidas binaurais, seria mais estranho ainda, pois não é possível acoplar frequências imaginárias com oscilações reais de qualquer tipo, muito menos com as ondas do EEG;
  • por fim, o mais decisivo: o efeito de cada droga depende da ativação seletiva de receptores moleculares em muitas células nervosas específicas, o que nenhuma onda cerebral conhecida é capaz de fazer, muito menos com a especificidade que se alega tenham essas “drogas digitais”;

Há bases científicas para os efeitos alegados?

Um estudo de 2008 com pacientes hipertensos comparou o efeito de BBs com o som de um riacho – o grupo controle – e não encontrou melhora significativa do grupo BB, embora a sessão de audição tenha sido curta e pacientes idosos tenham mais dificuldade em ouvir tais efeitos (Carter, 2008). Um pequeno estudo japonês de 2006 (Karino et al., 2006) observou os EEGs de 9 pacientes que escutavam BBs e os resultados foram muito variados e sem relação com a frequência do BB: aparentemente, tratava-se apenas da atividade do córtex auditivo, obviamente sendo estimulado. Outro trabalho de 2014 (Gao et al., 2014), embora tenha chegado a uma conclusão bastante otimista, não conseguiu demonstrar o efeito de arrasto das ondas cerebrais pelos BB, o que põe em questão o mecanismo proposto para tal efeito (ver a seguir). Nos bons estudos controlados, porem, não aparecem efeitos significativos (Bang et al., 2019; López-Caballero & Escera, 2017; Vernon et al., 2014; Wahbeh et al., 2007; Orozco Perez et al., 2020).

Um resultado positivo foi achado em 2005, publicado na Clinical Neurophysiology (Schwarz & Taylor, 2005), no qual a frequência desejada do EEG teria sido induzida por um BB com a mesma frequência, porém tratava-se de um único sujeito e o estudo nem foi cego, nem teve grupo controle (o tipo da situação em que o poder da sugestão comanda o espetáculo).  Mesmo recentemente, seguem aparecendo trabalhos com desenho experimental e grupos controles questionáveis em defesa dos supostos efeitos positivos dos BB (Lim et al., 2018), incluindo meta-análises confirmatórias (Garcia-Argibay et al., 2019). Estudos mais cuidadosos nos quais se achou alguma coisa, porém, mostraram apenas efeitos gerais sobre ansiedade ou a sensibilidade à dor (Chaieb et al., 2015; Gkolias et al., 2020; Padmanabhan et al., 2005), ambas coisas que podem também ser explicados por efeito placebo.

Para que uma hipótese seja científica, não basta com ser testável e ser refutável, ela também tem de ser compatível com o conhecimento cientifico prévio (Bunge, 1967): é neste quesito que muitas pseudociências esbarram – por exemplo ao violar leis da física –  e sucumbem. Há uma série de assunções por trás da hipótese BB → EEG que simplesmente não têm cabimento:  (a) que induzir determinada onda no EEG causa determinado estado cerebral específico, (b) que “ouvir” determinada frequência sonora induz onda equivalente no EEG, (c) que a frequência ilusória percebida com o BB interage e se acopla à atividade elétrica do EEG, (d) que os estados cerebrais induzidos pelas BBs são super-específicos, detalhados, e idênticos àqueles que ocorrem quando se está sob ação de determinada droga psicotrópica – a suposição mais absurda de todas. Como vimos, há poucos estudos científicos bem desenhados (com randomização e duplo-cego) e adequadamente controlados acerca dos supostos efeitos psicofisiológicos de se “ouvir” BBs, e, desses, nenhum efeito realmente específico e reproduzível foi detectado. Já os poucos trabalhos que parecem ter obtido efeitos significativos, geralmente não são adequadamente controlados.

O poder da sugestão e o efeito placebo

Então o que está acontecendo com aqueles que relatam “viagens” sob ação dos áudios? A verdade é que nós, humanos, somos muito sugestionáveis: se desejamos ou acreditamos fervorosamente que algo pode acontecer, muitas vezes perceberemos este algo como acontecendo! Além disso, diante de estimulos vagos e contínuos, é comum experimentarmos a pareidolia, um tipo de apofenia – a tendência a procurar e detectar padrões em toda a parte – o que muitas vezes contamina nosso julgamento com um viés cognitivo. Tais distorções, por vezes, podem favorecer a ocorrência do chamado efeito placebo, que é quando um procedimento inerte/ineficiente acaba resultando em um efeito terapêutico real. Assim, uma pessoa que acredita piamente que áudios como os do I-Doser realmente funcionam, ao ouvi-los – por exemplo, o da maconha ou do LSD – irá sentir as mais diferentes sensações e emoções, e interpretá-las com sua imaginação. Ou, no caso de alguém que já tenha utilizado a substância na vida real, evocará memórias vívidas. Nenhum deles, porém, estará realmente “sob a ação daquela substância”, portanto, qualquer “efeito” será apenas uma ilusão.

O bacana é que qualquer um pode testar isso de forma quase científica pedindo aos amigos que pagaram para ouvir esses áudios que descrevam detalhadamente o que sentiram e por quanto tempo, mas colha os relatos antes que eles conversem entre si. Compare dois ou mais relatos da mesma “droga digital” e note como os tais “efeitos psicotrópicos” são vagos, genéricos, porém variados, diferentes entre si (e do efeito real). Essa variabilidade se deve à subjetividade de cada experiência, mas mesmos assim, quem acredita acaba vítima do chamado viés de confirmação.

Evidentemente que cada um é livre para escutar o que quiser, inclusive pagar para escutar “ruído enfeitado”. Mas é bom sempre saber distinguir o que é real do imaginário e não se deixar explorar cegamente.

Aproveite para redescobrir algo incrível: que é possível viver ótimas sensações mentais induzidas por ondas sonoras … ouvindo boa música!

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LEITURAS RECOMENDADAS (na wikipédia, a versão mais confiável geralmente é a em inglês):

https://www.boatos.org/saude/i-doser-e-uma-droga-virtual-vai-viciar-jovens-e-causar-overdoses.html
https://pt.wikipedia.org/wiki/Batimentos

https://pt.wikipedia.org/wiki/Canto_dif%C3%B4nico

https://en.wikipedia.org/wiki/Beat_(acoustics)#Binaural_beats
https://en.wikipedia.org/wiki/I-Doser

https://i-doser.com/

https://pt.wikipedia.org/wiki/Vi%C3%A9s_cognitivo
https://pt.wikipedia.org/wiki/Apofenia
https://pt.wikipedia.org/wiki/Pareidolia
https://pt.wikipedia.org/wiki/Sugestionabilidade
https://pt.wikipedia.org/wiki/Placebo
https://pt.wikipedia.org/wiki/Vi%C3%A9s_de_confirma%C3%A7%C3%A3o
https://skeptoid.com/episodes/4147  (Skeptoid é um podcast apresentado por Brian Dunning)
https://theswaddle.com/do-audio-drugs-really-get-you-high/

https://molineskeptics.com/2016/07/20/hear-we-go-again/
https://theness.com/neurologicablog/index.php/digital-drugs-do-not-cure-stupidity/

 

REFERÊNCIAS CIENTÍFICAS CITADAS

Bang, Y. R., Choi, H. Y., & Yoon, I.-Y. (2019). Minimal Effects of Binaural Auditory Beats for Subclinical Insomnia: A Randomized Double-Blind Controlled Study. Journal of Clinical Psychopharmacology, 39(5), 499–503. https://doi.org/10.1097/JCP.0000000000001097

Bunge, M. (1967). Scientific Research II: The Search for Truth. Springer-Verlag. https://www.springer.com/gp/book/9783642481406

Carter, C. (2008). Healthcare performance and the effects of the binaural beats on human blood pressure and heart rate. Journal of Hospital Marketing & Public Relations, 18(2), 213–219. https://doi.org/10.1080/15390940802234263

Chaieb, L., Wilpert, E. C., Reber, T. P., & Fell, J. (2015). Auditory Beat Stimulation and its Effects on Cognition and Mood States. Frontiers in Psychiatry, 6, 70. https://doi.org/10.3389/fpsyt.2015.00070

Gao, X., Cao, H., Ming, D., Qi, H., Wang, X., Wang, X., Chen, R., & Zhou, P. (2014). Analysis of EEG activity in response to binaural beats with different frequencies. International Journal of Psychophysiology: Official Journal of the International Organization of Psychophysiology, 94(3), 399–406. https://doi.org/10.1016/j.ijpsycho.2014.10.010

Garcia-Argibay, M., Santed, M. A., & Reales, J. M. (2019). Efficacy of binaural auditory beats in cognition, anxiety, and pain perception: A meta-analysis. Psychological Research, 83(2), 357–372. https://doi.org/10.1007/s00426-018-1066-8

Gkolias, V., Amaniti, A., Triantafyllou, A., Papakonstantinou, P., Kartsidis, P., Paraskevopoulos, E., Bamidis, P. D., Hadjileontiadis, L., & Kouvelas, D. (2020). Reduced pain and analgesic use after acoustic binaural beats therapy in chronic pain—A double-blind randomized control cross-over trial. European Journal of Pain (London, England), 24(9), 1716–1729. https://doi.org/10.1002/ejp.1615

Karino, S., Yumoto, M., Itoh, K., Uno, A., Yamakawa, K., Sekimoto, S., & Kaga, K. (2006). Neuromagnetic responses to binaural beat in human cerebral cortex. Journal of Neurophysiology, 96(4), 1927–1938. https://doi.org/10.1152/jn.00859.2005

Lim, J.-H., Kim, H., Jeon, C., & Cho, S. (2018). The effects on mental fatigue and the cognitive function of mechanical massage and binaural beats (brain massage) provided by massage chairs. Complementary Therapies in Clinical Practice, 32, 32–38. https://doi.org/10.1016/j.ctcp.2018.04.008

López-Caballero, F., & Escera, C. (2017). Binaural Beat: A Failure to Enhance EEG Power and Emotional Arousal. Frontiers in Human Neuroscience, 11, 557. https://doi.org/10.3389/fnhum.2017.00557

Orozco Perez HD, Dumas G, Lehmann A (2020) Binaural Beats through the Auditory Pathway: From Brainstem to Connectivity Patterns. eNeuro 7:ENEURO.0232-19.2020.

Oster, G. (1973). Auditory beats in the brain. Scientific American, 229(4), 94–102. https://doi.org/10.1038/scientificamerican1073-94

Padmanabhan, R., Hildreth, A. J., & Laws, D. (2005). A prospective, randomised, controlled study examining binaural beat audio and pre-operative anxiety in patients undergoing general anaesthesia for day case surgery. Anaesthesia, 60(9), 874–877. https://doi.org/10.1111/j.1365-2044.2005.04287.x

Schwarz, D. W. F., & Taylor, P. (2005). Human auditory steady state responses to binaural and monaural beats. Clinical Neurophysiology: Official Journal of the International Federation of Clinical Neurophysiology, 116(3), 658–668. https://doi.org/10.1016/j.clinph.2004.09.014

Vernon, D., Peryer, G., Louch, J., & Shaw, M. (2014). Tracking EEG changes in response to alpha and beta binaural beats. International Journal of Psychophysiology: Official Journal of the International Organization of Psychophysiology, 93(1), 134–139. https://doi.org/10.1016/j.ijpsycho.2012.10.008

Wahbeh, H., Calabrese, C., Zwickey, H., & Zajdel, D. (2007). Binaural beat technology in humans: A pilot study to assess neuropsychologic, physiologic, and electroencephalographic effects. Journal of Alternative and Complementary Medicine (New York, N.Y.), 13(2), 199–206. https://doi.org/10.1089/acm.2006.6201

 

[1]“Simulate Experiences: We are the leading provider of artisan brainwave doses and software. Our products are used by millions of people worldwide to help achieve a simulated mood or experience through the use of special binaural audio. Many use binaural brainwave audio to relax, have a recreational experience, enhance meditation, chakra and yoga, holistic balance – and so much more. With hundreds of available doses, the possibilities are endless.” – fonte: https://i-doser.com/ consultda em 06/04/2022.

[2]  O verbete não existe na wikipédia em português (embora exista um para o I-Doser, muito mal escrito e pior explicado, quase um comercial disfarçado): procure por binaural beats.


Um comentário em “I-Doser: musiquinha estranha ou ruído de fundo agradável, nada mais!

  1. Aluno de Física disse:

    Essa postagem ficou muito bem feita, inclusive com relação à pontuação.

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