Intensidade do exercício e a rapidez do movimento
29 de setembro, 2026 às 19:30 | Postado em Mecânica, Outros temas
Respondido por: Prof. Fernando Lang da Silveira - IF-UFRGSOlá, professor.
Qual a relação da velocidade com que um humano faz força com a intensidade da força que ele está fazendo?
Por exemplo, quando vou na academia e preciso fazer algum exercício de força (supino, flexão, barra, etc.) me sinto muito mais desgastado ao fazer o exercício de forma mais lenta. Nesse momento fico confuso, pois a força é definida pelo produto da massa com a aceleração do movimento.
Como a aceleração é diretamente proporcional à força e é calculada utilizando a velocidade do corpo ou a segunda derivada da posição, não compreendo o porquê de realizar o movimento com menor velocidade exige maior quantidade de força.
O contrário também é válido, pois, se aumentar o tempo, que é inversamente proporcional, a Força deve ser menor…
Agradeço desde já.
A resultante de todas as forças é igual ao produto da massa pela aceleração.
Entretanto a força que realizas nos exercícios indicados não é dada pelo produto da massa pela aceleração pois trabalhas contra o peso de um halter (como indicado na Fig. 1) ou do teu próprio corpo.

É verdade que se fizeres o exercício mais rapidamente, contra a mesma carga, terás que realizar uma força mais intensa do que lentamente. Mas essa não é a razão principal que diferencia um exercício lento de um rápido! A diferença principal não é explicada exclusivamente pela Mecânica mas pela Fisiologia dos Exercícios.
Exercícios físicos lentos e rápidos recrutam diferentes tipos de fibras musculares no corpo humano conforme está discutido em Transições nos tipos de fibras musculares com o treinamento físico.
Existem fibras musculares do tipo I e do tipo II conforme discutido em Treinamento de acordo com o tipo de fibra muscular:
As fibras musculares de contração lenta são predominantemente utilizadas durante exercícios aeróbicos, como corridas de longa distância. Essas fibras se contraem lentamente e possuem uma capacidade aeróbica muito alta. Como resultado, produzem ATP (trifosfato de adenosina é a principal molécula responsável pelo armazenamento e transporte de energia nas células dos seres vivos) por meio da glicólise aeróbica. Essas fibras são frequentemente chamadas de fibras do tipo I. As fibras do tipo I dependem fortemente da fosforilação oxidativa, em vez da glicólise, para a produção de ATP. Elas apresentam alta resistência à fadiga e alta capacidade oxidativa.
As fibras musculares de contração rápida são recrutadas principalmente durante exercícios anaeróbicos. Quando um músculo é submetido a alta demanda ou carga pesada, essas fibras assumem o controle. Atividades como corrida de velocidade e levantamento de peso dependem das fibras musculares de contração rápida devido aos altos níveis de intensidade e períodos de trabalho mais curtos. Essas fibras se contraem mais rapidamente, permitindo que produzam maiores quantidades de força, potência e vigor, mas se fatigam mais rapidamente.
As fibras musculares de contração rápida incluem as fibras do tipo IIa e do tipo IIb. As fibras do tipo IIa têm uma velocidade de contração rápida e transferem energia de fontes aeróbicas e anaeróbicas. As fibras do tipo IIb têm uma velocidade de contração ainda maior e um potencial anaeróbico mais elevado. Essas fibras apresentam um número elevado de enzimas glicolíticas, baixa resistência à fadiga e baixa capacidade oxidativa em comparação com as fibras.
Então não podes apenas no domínio estrito da Mecânica justificar o que acontece com teu corpo pois ele é uma máquina complexa e tens que conhecer o que se passa internamente. Essa é na verdade uma discussão de Termodinâmica.
“Docendo discimus.” (Sêneca)
