Automóveis com alvéolos aerodinâmicos
24 de março, 2026 às 20:21 | Postado em Mecânica de fluidos
Respondido por: Prof. Fernando Lang da Silveira - IF-UFRGSHá muito tempo, jogadores de golfe descobriram que bola usadas iam muito mais longe que bolas novas fabricadas com pequenas depressões simulavam o efeito das bolas desgastadas, o golfe mudou para sempre. Utilizando esse mesmo principio, seria possível produzir carros, aviões e outros produtos utilizando esse mesmo conceito? E se é possível, porque não está nos carros de corrida e de rua também? Lembrando que também existem roupas de natação que simulam textura de pele de tubarão, com ganho de velocidade (roupas que foram proibidas pela WADA).
Em um episódio de MythBusters (2012) foi testado se alvéolos (“covinhas”) como os de uma bola de golfe melhorariam a aerodinâmica de um automóvel, reduzindo o consumo de combustível. Um automóvel coberto com argila lisa que serviu como base para muitas “covinhas” em toda a carroceria. O objetivo era diminuir a força de arrasto do ar como ocorre em bolas de golfe.

O resultado foi surpreendente. O carro com “covinhas” teve consumo de combustível 29,6 milhas por galão (aproximadamente 12,6 km/l), em comparação com o consumo 26 milhas por galão (aproximadamente 11 km/l) da versão lisa, representando assim uma melhoria de cerca de 12,5%. Isso mostrou que a superfície texturizada ajudou o fluxo de ar a permanecer aderido por mais tempo, reduzindo o arrasto de baixa pressão atrás do veículo e melhorando a eficiência geral. Aqui o vídeo dos MythBusters: O experimento do carro com “covinhas”.
Posteriormente o resultado surpreendente dos MythBusters foi recebido com ceticismo e questionado por especialistas que consideram que o experimento tinha problemas metodológicos; vide especialmente este comentário.
Aqui uma discussão sobre Por que os carros não tem “covinhas” como as bolas de golfe?
Texturas funcionais com “covinhas” semelhantes às das bolas de golfe já foram implementadas, para melhorar a aerodinâmica, em regiões específicas do Subaru WRX 2022: nos acabamentos plásticos dos para-lamas e em partes do para-choque traseiro.
O Bugatti Bolide introduziu uma inovação tecnológica com “covinhas” (ou bolhas) aerodinâmicas ativas no teto. O teto é deformável e se transforma com a velocidade para otimizar o fluxo de ar, permanecendo liso em baixa velocidade e criando “bolhas” em alta velocidade para melhorar a eficiência aerodinâmica.
Desta forma, as “covinhas” tem sido implementadas em regiões específicas de alguns automóveis esportivos mas há razões aerodinâmicas, econômicas e estéticas para não serem utilizadas sobre todas superfícies.
“Docendo discimus.” (Sêneca)
