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O pseudo experimento dos edifícios no filme Terra Convexa!

Gostaria de saber se o experimento geodésico apresentado no filme Terra Convexa está correto. Consistiu em medir a base e o topo de dois prédios a nível do mar, um em Torres e outro em Natal, a uma distância de mais de três mil quilômetros. Segundo o pessoal do filme, se a Terra fosse um globo a distância entre os topos dos prédios seria maior do que a distância entre as bases, o que não aconteceu. Não tendo encontrado uma abordagem profunda para este experimento em qualquer fonte externa, decidi registrar a pergunta aqui. Fico aguardando a resposta com grande curiosidade.

Respondido por: Prof. Fernando Lang da Silveira - IF-UFRGS

Chega a ser cômico que no filme Terra Convexa (TC) – que apresenta uma alternativa tupiniquim para a mítica Terra Plana (TP), idealizada pela mesma pessoa que criou o ET Bilu – sejam fornecidas coordenadas de latitude e longitude  dos locais no globo onde aconteceram os “experimentos” que “demonstram” ter nosso planeta a forma de uma pizza mal feita. Diferentemente da Terra Plana (TP) que é um disco bem comportado, a versão tupiniquim TC é um disco com um “puxadinho” tipo jacuzzi ao lado. 🙂 Para quem tiver interesse  em visualizar a forma delirante da versão tupiniquim da TP pode acessar o seguinte endereço: imagem-TC.

Em um mundo chato uma coordenada de latitude não tem qualquer significado – coordenada de longitude poderia ser definida neste mundo mitológico mas a de latitude é completamente sem sentido. Tanto isso é verdade que até hoje terraplanistas não explicaram como se determinam latitudes no mundo mitológico, apesar de as referirem em seus “experimentos” de curvatura.  Por isso é hilário que os “sientistas” da TC forneçam coordenadas de latitude e longitude (terra-chatos muitas vezes também procederam desta forma que revela forte dissociação cognitiva em suas fraudes “experimentais”) para localizar os dois edifícios do “experimento” em questão, um em Natal e outro em Torres no RS. Quem fornece localização com coordenadas de latitude e longitude está referendando, queira ou não, que a forma da Terra é (quase) esférica conforme a figura 1 indica. Somente por ignorância ou desonestidade intelectual algum “sientista” da TC ou da TP usaria as duas coordenadas esféricas, consistentemente definidas para o globo terrestre, sem  significado no mundinho mitológico chato.

A ideia do experimento está representada esquematicamente na figura 2. Dois edifícios, um em Torres (RS) e o outro em Natal (RN), devem ter seus topos mais distantes entre si do que as suas bases entre si.

Segundo descrito no filme e apresentado na página (Curvatura Geodésica a longa distância) sobre o pseudo experimento, as coordenadas de latitude e longitude da base e do topo dos edifício foram determinadas com auxílio de uma Estação Total Trimble, um Receptor GNSS Trimble, … . Na página supracitada ou no filme não há informação sobre medidas de altitude em qualquer dos quatro pontos de interesse.

As coordenadas de latitude e longitude em dois pontos quaisquer de uma reta vertical são necessariamente as mesmas pois tais coordenadas sempre são encontradas por projeção sobre o elipsoide de referência.

Ou seja, se o aparato utilizado para determinar as coordenadas de latitude e longitude é posicionado em altitudes diferentes sobre uma reta vertical, as medidas devem ser idênticas a menos de algum erro de medida. Quando distâncias são calculadas a partir das coordenadas de latitude e longitude, deve-se entender que estas distâncias são medidas sobre o elipsoide de referência. Portanto as distâncias calculadas a partir das coordenadas das bases e dos topos são necessariamente as mesmas pois representam o comprimento do mesmo arco. Desta forma, dada a abordagem tacanha na feitura do pseudo experimento, o resultado somente poderia ser aquele apresentado pois as duas medidas são redundantes, isto é, são as mesmas.

Na figura 2, por simplicidade, considera-se que  as bases dos edifícios se encontram sobre o elipsoide de referência. Portanto as coordenadas de latitude e longitude são as mesmas para os pontos A e A’ e para os pontos B e B´. Então trivialmente os resultados das distâncias calculadas entre A e B usando-se apenas as coordenadas de latitude e longitude é igual aquela obtida com as coordenadas de A’ e B’. Ou seja, não se necessita fazer as medidas para se saber que elas darão os mesmos resultados.  E qual é este resultado?

Para se determinar o ângulo σ representado na figura 2, deve-se conhecer as coordenadas de latitude (λ) e longitude (\phi) dos pontos A e B (ou A’ e B’). No caso específico do edifício em Torres, segundo a página Curvatura Geodésica a longa distância, a latitude é 29°20’19,69″S (-29,3388°)  e a longitude é 49°43’30,67″O (-49,7252°). Já o edifício em Natal apresenta a latitude de 5°47’21,41″S (-5,7893°)  e a longitude de 35°11’19,81″O (-35,1888°). O ângulo ∆σ (vide Great-circle distance) é então dado por

onde ∆λ é a diferença entre as duas longitudes.

Substituindo-se os valores das latitudes e longitudes na equação 1 resulta ∆σ=0,475745radianos. A distância entre as bases dos dois edifícios é este ângulo de 0,475745radianos multiplicado pelo raio da Terra, obtendo-se 3022km.

A opção mais simples para se calcular tal distância é usando no Google Earth a ferramenta Régua conforme a figura 3 apresenta.

É importante notar que o resultado na figura 3 é exatamente aquele informado na página Curvatura Geodésica a longa distância. Ou seja, para se obter tal resultado é completamente dispensável fazer o pseudo experimento. Basta se escolher dois edifícios com auxílio do Google Earth e medir a distância entre eles. 

Desta forma fica evidente que a ignorância (ou seria desonestidade intelectual?) orientou os “sientistas” do filme TC.

Finalmente demonstra-se como calcular a diferença entre as distâncias base-base e topo-topo dos dois edifícios.  Na falta de maiores informações, e para fins de raciocínio, supomos que ambos os edifícios tenham a altura H de 100m. O comprimento do arco AB é dado por

LAB = ∆σ.R .                   (2)

O  comprimento do arco A’B’ é dado por

LA’B’ = ∆σ.(R+H) .             (3)

A diferença dos dois comprimentos resulta em

∆L =  LA’B’– LAB = = ∆σ.H .   (4)

Calculando a diferença entre as duas distâncias encontra-se

∆L = 0,475745 . 100≅ 48m .  (5)

Ou seja, se os “sientistas” da TC tivessem medido as altitudes das bases e dos topos dos dois edifícios, poderiam calcular as distâncias entre as bases e entre os topos dos dois edifícios e sua diferença. Esta diferença é muito pequena se comparada à própria distância por eles encontrada ou fornecida pelo Google Earth (3021,77km), representando apenas 0,002% da distância entre Torres e Natal.

Uma análise detalhada deste pseudo experimento, com uma referência a um caso em que de fato foi medida a diferença base-base e topo-topo de duas torres devida à curvatura da Terra (ponte), se encontra em O teste dos edifícios é válido?

O filme Terra Convexa foi completamente desmistificado, revelando que os  diversos “experimentos” não passam pelo crivo da racionalidade científica, no seguinte vídeo: Tierra Convexa, el Documental REFUTADO.

Finalmente, o filme Terra Convexa é tão verídico quanto a criação anterior do seu idealizador: o ET Bilu.

Vídeos adicionais mostrando as empulhações do “documentário”  Terra Convexa:

Prof. Lang explica o pseudo experimento da TC

67 – Terra convexa e seus experimentos amadores: Teste do laser

68 – Terra convexa e seus experimentos amadores: teste dos prédios.

69 – Terra convexa e seus experimentos amadores: teste da radiocomunicação.

“Docendo discimus.” (Sêneca)


27 comentários em “O pseudo experimento dos edifícios no filme Terra Convexa!

  1. Geraldo Dias disse:

    Nenhum terraplanista se manifesta ? Gostaria da opinião dos pseudocientistas sobre esta postagem.

    • CHARLES LADVOCAT CINTRA disse:

      A matemática tentando explicar o inexplicável.
      Cálculos e mais cálculos com o objetivo de refutar o irrefutável.
      Ambos os prédios estão localizados ao nível do mar, distantes 3.050 km um do outro: se as distâncias entre as bases e os topos dos prédios é a mesma, a terra não pode ser esférica.
      Deixem de soberba e reconheçam que nos enganaram por muito tempo:
      “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará.”

  2. Renato Ranzini Rodrigues disse:

    “Calculando a diferença entre as duas distâncias encontra-se

    ∆L = 0,475745 . 100≅ 48m”

    O resultado mostra uma diferença entre as medidas… O que o terra-chato não entendeu??????????

  3. Domingos Cesar Neves Torres disse:

    Petista respondendo com ofensas e soberba, tá certo. Nem se dá ao trabalho de chamar os caras e desmentir. Não. Se você se baseia num modelo globo, é óbvio que os cálculos vão ser diferentes. Modelos são para isso. Mas petista não reconhece o próprio erro. Continuem rosnando.

    • Fernando Lang disse:

      Estás redondamente, esfericamente, enganado não apenas em eu ser petista. Ainda bem que não me chamaste de terraplanista pois tal seria uma ofensa terrível. 🙂
      Se “os caras”, o ET Bilu ou Urandir não apareceu por aqui para desmentir foi porque não quiseram. Quem sabe tu incitas os “sientistas” que fizeram o documentário para enganar trouxas a defender aqui a empulhação.

    • Dimitri disse:

      Mano, os cara consegue enfiar PT ATÉ AQUI. DO NADA, VÉI. LITERALMENTE DO NADA.

  4. Jussiê Soares disse:

    Mal sabem que o GPS que eles utilizam para chegar até a casa do Olavo de Carvalho é baseado em coordenadas esféricas.

    • Fernando Lang disse:

      Até hoje espero uma resposta para a questão: Como se determinam latitudes no mundo chato? (risos)

    • El Ermann (Dakila) disse:

      A propaganda do GPS qualquer globoloide tipo lang aceita de imediato. Os mapas são planimétricos. Tente pensar o motivo das coordenadas no hemisfério sul tem menor precisão que o hemisfério norte.

      • Fernando Lang disse:

        Ao invés aproveitares o espaço para explicar como em um mundo chato se determinam duas coordenadas esféricas (latitude e longitude), ou como apenas com coordenadas de latitude e longitude, sem referência a altitudes, se determinam distâncias entre as bases e entre os topos de edifícios, fizeste apenas um exercício de dissociação cognitiva.

        O próximo comentário somente será habilitado caso respondas às indagações acima e adicionalmente apresentes a documentação, segundo as normas da ABNT ou de alguma organização científica, com os relatos dos “experimentos” do filme de ficção não-científica Terra Convexa.

      • Kabeha Fukuda disse:

        Passa a marca de GPS que voce usa que nao leva em consideração a curvatura da Terra para eu evitar usar por favor.

  5. Glauco disse:

    Câmera ao vivo de um satélite geoestacionário mostrando a terra girando você tem?

    • Fernando Lang disse:

      A Terra observada de um satélite geoestacionário, como qualquer pessoa minimamente instruída sabe, observa a Terra ESTACIONADA em relação ao satélite. (risos)

      Para observar a Terra girando deveria se observar de um satélite estacionado em relação às “estrelas fixas”. Já observaste o ponteiro da horas de um relógio girando? Pois o ponteiro das horas do relógio gira duas vezes mais rapidamente do que a Terra em torno de seu eixo.

      Estudar um pouco poupa fazer perguntas simplórias na internet.

  6. Glauco disse:

    Porque não citou o técnico do incra?

    • Fernando Lang disse:

      E por que deveria citar tal “sientista”? O alegado “técnico do INCRA” não estava lá representando o INCRA conforme o INCRA informou. Vide abaixo a troca de mensagens com o INCRA.

      Quem sabe o “técnico do INCRA” explica como se determinam latitudes em um mundo chato?

  7. sergio silva disse:

    1) Qual o problema de o Incra negar qualquer participacao, o engenheiro servidor é livre para fazer o que bem querer nas horas vagas, e a questao de o documentario citar que ele é do Incra é somente para dar mais credibilidade ao gado que assim o necessita para crer nas coisas; 2) Qual o problema de Urandir ter mentido um dia sobre o ET Bilu, afinal todos nós cometemos erros mas temos chance de sermos redimidos; 3) A maioria dos experimentos realizados são simples, porem eficazes, sendo assim, nao necessitam de serem realizados unicamente por cientistas que se cagam para expressar as verdades.

    • Fernando Lang disse:

      Para começar não houve nenhum engenheiro do Incra envolvido nos pseudo experimentos do Bilurandir; desde quando um técnico em agrimensura vira engenheiro Incra? Somente na MITOLÓGICA TERRA PLANA ou CONVEXA.
      Em segundo lugar onde estão os pedidos de desculpas e o reconhecimento do Bilurandir sobre a farsa do ET Bilu?
      Em terceiro lugar, onde são encontrados os relatórios em acordo com as normas da ABNT dos pseudo experimentos do “documentário” Terra Convexa?
      Finalmente, indica em qualquer lugar do globo uma única organização científica que dê respaldo às empulhações do tal “documentário” ou do desvario psicodélico de que a Terra tem forma de pizza embaixo de uma queijeira. 🙂

  8. Valeria disse:

    Interessante aqui é que o Rafael e sua equipe de pesquisadores exorta a toda a comunidade cientifica a nível mundial para que tome conhecimento desses sérios estudos e se apresente para provar o contrário da tese da terra convexa ou provar que a terra é redonda e até agora ninguém se apresentou oficialmente para desafiar a tese da terra convexa cientificamente. Só de boca fica facil.

    • Fernando Lang disse:

      A forma de exortar a comunidade científica é publicando as memórias dos supostos experimentos. Um videozinho para enganar trouxas não é nada além de uma tentativa de empulhação com interesses financeiros. A “tese” sobre um mundo chato embaixo de um penico emborcado somente existe em canais do YT que congregam apedeutas, em redes sociais de boçais e/ou fideístas e reacionários negacionistas.

      Para um caracterização do que é ser terraplanista ou terraconvexista 🙂 vide
      Verbete sobre terraplanismo.

  9. FABIO FLEMMING disse:

    Fernando,
    como os terraplanistas explicam essa Australia em formato de linguiça?
    Qualquer pessoa consegue verificar que a Australia cabem em um quadrado.

    • Fernando Lang disse:

      Terás que perguntar para eles! 🙂

    • Renato Ranzini Rodrigues disse:

      Olha que loucura:

      https://ultimosegundo.ig.com.br/ciencia/2018-05-03/teoria-da-inexistencia-da-australia.html

      Terraplanistas garantem que Austrália não existe e que australianos são robôs

      Estudo afirma que país foi criado para “encobrir assassinato em massa” e que 24 milhões de australianos são “robôs”; teoria ainda rechaça a gravidade
      Siga o iG no Google News

      Por iG São Paulo | 03/05/2018 12:15

      Teoria “Austrália falsa” começou após a pesquisadora autônoma Shelley Floryd compartilhar algumas “teorias”
      Há uma quantidade de pessoas que acredita que o planeta Terra não é redondo, e sim plano. Entretanto, agora, além dos estudos sobre a Terra Plana, teóricos da conspiração querem provar que a Austrália é uma grande farsa.

      De acordo com informações do Mirror , a afirmação de que a Austrália não é real começou por meio de um discurso viral no Facebook, em que os chamados terraplanistas explicaram por que as 24 milhões de pessoas que vivem naquele país, na verdade, não o habitam de fato.

      A ideia passou a ser ainda mais propagada após um encontro em Birmingham, na Inglaterra, onde mais de 200 teóricos da conspiração se reuniram para discutir estudos e parâmetros que evidenciem que nosso planeta seja um “grande disco”.

      “A Austrália não é real, a Terra é plana e gravidade não existe”
      A origem da teoria nomeada de “Austrália falsa” começou no ano passado, quando a pesquisadora autônoma Shelley Floryd compartilhar alguns “estudos” acerca do país.

      Em sua página oficial do Facebook, Floryd, que possui um grupo fiel de seguidores, alegou que os australianos não são seres humanos, e sim criaturas geradas por computadores que se comportam como simples personas.

      “É uma farsa feita para acreditarmos que a Grã-Bretanha transferiu criminosos para algum lugar do mundo, quando, na verdade, todos eles foram colocados em navios e morreram afogados. Esse país é uma mentira para encobrir um dos maiores assassinatos em massa da história. Se você, turista, pensa que já o visitou, sinto lhe informar que foi enganado”.

      Em relação às teorias sobre Terra Plana, Floryd afirma que, apesar de “muitas pessoas rejeitarem as análises”, atualmente têm sofrido um processo de transformação e aceitação, desfrutando de uma reestruturação potente.

      Na última semana, durante a primeira Convenção da Terra Plana do Reino Unido, nove oradores subiram ao palco para palestrar e supostamente comprovar que a Terra se parece com uma “panqueca gigante”.

      Segundo o The Telegraph , o funcionário do Serviço Nacional de Saúde (NHS), Dave Marsh, complementou os dados trazidos por Shelley, trazendo ainda a polêmica de que a gravidade não existe.

      “Minha pesquisa destrói a cosmologia do Big Bang. Ela é toda estruturada na ideia de que a gravidade não existe, e a única força verdadeira na natureza é o eletromagnetismo”, disse.

      Antes da publicação de mais teorias sobre Terra Plana e sobre a inexistência da Austrália , a Agência Espacial Norte-Americana (Nasa) já havia se pronunciado sobre o assunto, divulgando estudos feitos com satélites, GPS e imagens do espaços que asseguram que a Terra é redonda. Para os terraplanistas, o experimento da Nasa não é confiável, já que segundo eles, a agência vem omitindo fatos.

      Fonte: undefined – iG @ https://ultimosegundo.ig.com.br/ciencia/2018-05-03/teoria-da-inexistencia-da-australia.html

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