• Para onde apontam as antenas parabólicas que recebem sinais de televisão?


  • Prof. Lang


    Um bom tema é as antenas parabólicas de tv. Eu vi um idiota escrevendo que se satélites existissem mesmo as antenas deveriam ser apontadas LITERALMENTE na vertical, e não na diagonal, tanto no Maranhão como no Rio Grande do Sul.









    Este tema já foi discutido em outras postagens do CREF, motivadas por afirmações semelhantes sobre a inexistência de satélites em geral. Os ignorantes defensores da Terra Plana, que acreditam que o Sol e a Lua descrevem órbitas paralelas à superfície do mundo mítico a poucos milhares de quilômetros de altitude,  por razão óbvia negam  que satélites existam. Duas postagens especificamente trataram do tema: Satélites de telecomunicações não existem, afirmou um aloprado terra-chato! e AS ATUAIS TECNOLOGIAS DE TELECOMUNICAÇÕES EVIDENCIAM A ESFERICIDADE DA TERRA.


    As antenas parabólicas que vemos apontadas para o céu recebem sinais oriundos de satélites geoestacionários, isto é, que descrevem uma volta em torno da Terra enquanto a Terra completa um giro em torno de seu eixo, portanto em um dia. Para que um satélite seja geoestacionário é necessário também que ele esteja em uma órbita contida no plano equatorial da Terra a 35,8 mil quilômetros de altitude (cerca de 5,6 raios terrestres). Vide Plano da órbita do satélite geoestacionário e Elevação sobre o horizonte do satélite geoestacionário.


    Como um satélite geoestacionário somente pode irradiar para uma parte do planeta, existe um cinturão deles permitindo a cobertura de todo o planeta (exceto em latitudes próximas do polos como adiante se discute). Cada um dos satélites se situa sobre um particular meridiano terrestre e a identificação de cada um deles refere inicialmente a longitude do seu respectivo meridiano conforme pode-se notar na longa lista da Wikipedia:  List_of_satellites_in_geosynchronous_orbit.


    A figura 1 representa esquematicamente a Terra, um satélite e a direção da qual chega a radiação eletromagnética por ele emitida em um ponto da Terra na mesma longitude do satélite.


    satel_geoest


    Percebe-se facilmente que a direção de incidência da radiação na superfície da Terra depende da latitude e somente no equador terrestre ela pode incidir verticalmente. Ou seja, somente no equador podem ser encontradas antenas  “apontadas LITERALMENTE na vertical”. Em outro qualquer ponto da Terra a antena deverá ser convenientemente orientada tanto em relação ao plano horizontal, quanto em relação a direção norte-sul geográfica.


    Se o satélite de interesse se encontra na mesma longitude da antena, a radiação incide segundo a INCLINAÇÃO MÁXIMA indicada no gráfico da figura 2 e é proveniente exatamente do norte (sul) no hemisfério sul (norte). Além de 82 graus de latitude todos os satélites geoestacionários ficam abaixo da horizontal.


    inclina_lat


    Caso o satélite de interesse não esteja na mesma longitude da antena, a radiação chegará na superfície do planeta segundo um ângulo de inclinação MENOR do que a inclinação máxima indicada na figura 2.  Adicionalmente a antena não apontará na direção norte-sul, podendo ter uma orientação muitos graus diferentes desta linha.


    A orientação de uma antena pode ser determinada  com o  Satellite Finder / Dish Alignment Calculator with Google Maps” (“Buscador de satélites / Calculador do Alinhamento da Antena com Google Maps”) que utilizarei para exemplificar concretamente esta discussão.


    Vou considerar uma antena parabólica na cidade de Ushuaia, Argentina, portanto a 55 graus de latitude sul e 68 graus de longitude oeste. De acordo com o gráfico da figura 2 a radiação eletromagnética provinda de um satélite estaria no máximo inclinada 27 graus com a horizontal. Se o satélite de interesse é o 119W DirecTV 7S (portanto sobre o meridiano de 119 graus oeste), a radiação chega inclinada apenas 13 graus com a horizontal. Vide  Antenas parabólicas apontando para o chão em Ushuaia!?


    Em Porto Alegre, que se situa a 30 graus de latitude sul e 51 graus de longitude, no máximo a radiação oriunda em um satélite geoestacionário incide a 55 graus de inclinação. No prédio ao lado do edifício onde moro existe uma antena parabólica orientada para captar a radiação do satélite 51W ECHOSTAR que incide segundo o ângulo 53 graus; a antena está orientada a aproximadamente 30 graus norte, no quadrante nordeste.


    Em São Luiz do Maranhão, que se situa quase no equador pois está a 2,5 graus de latitude sul e 44 de longitude oeste, no máximo a radiação oriunda em um satélite geoestacionário incide a 88 graus com a horizontal, portanto quase na vertical. A radiação do satélite 51W ECHOSTAR incide a 70 graus com a horizontal e vem do quadrante noroeste a 37 graus norte.


    Desta forma fica evidenciado que antenas parabólicas em posições diversas ao redor do globo têm orientações que dependem da localização da antena e do satélite visado. Somente próximo ao equador é que podem existir antenas “apontadas quase na vertical”. E mesmo em pequenas latitudes é possível, dependendo do satélite de interesse, que a radiação incida segundo ângulos mais próximos da horizontal conforme é possível calcular com o “Satellite Finder”.


    Comentários adicionais sobre os delírios terraplanistas relativos às antenas:


    A alegação de que as antenas parabólicas que recebem os sinais de TV estejam apontadas para alguma torre é insustentável pois todas as antenas de uma cidade que recebem sinais oriundos de um particular satélite estão orientadas (quase) segundo o mesmo ângulo com a horizontal e com a direção norte-sul. Adicionalmente, uma elevação de apenas 20 graus com a horizontal implicaria que uma torre localizada a apenas 1 km da antena devesse ter a altura enorme de 360 metros. As antenas estão orientadas para o céu e isto não implica em “apontadas LITERALMENTE na vertical”.


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    "Docendo discimus."(Sêneca)


     


     





    Prof. Fernando Lang da Silveira - www.if.ufrgs.br/~lang/



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